Fala blog, tudo bem?
Estou participando do projeto BEDA/BEWA de agosto, da comunidade ENTREBLOGS, que esse ano tem o nome de: D&B - Os Guardiões da Blogosfera (que dahora cara, tô até arrepiado, parabéns as envolvidos). Trata-se de um desafio para nós blogueiros para postar diariamente, caso aceite o desafio BEDA (Blog Every Day August) ou semanalmente, caso aceite o desafio BEWA (Blog Every Week August). Nesse ano, curti demais a temática do projeto, tratando-se da "Gamificação da Blogosfera". Toda uma temática gamer / mitologica / medieval / RPG e cara, você sabe, eu sou apaixonado por games, então não poderia perder isso por nada. Até o fim da semana enviarei outra postagem referente a minha participação nesse projeto muito dahora dos nossos queridos chefes Barbara do blog BMRTT e Tiago, do Blog do Th.
O vilão da primeira semana do BEDA/BEWA é o Crítico Infinito, (ééé isso mesmo, o pessoal fez um projeto tão da hora e imersivo, que cada semana terá um vilão para derrotarmos) que pelo que entendi, trata-se de algo no sentido do perfeccionismo exagerado das coisas e como combatê-lo. Com isso, a minha primeira missão de investida para derrotar o vilão da semana tem o nome de: O Pergaminho Esquecido, que conforme informações do projeto, trata-se de publicar um dos meus rascunhos antigos informando desde quando estava parado).
Ah, vale lembrar que estou publicando o mesmo na minha página do WATTPAD (Clique para visitar), lá tem prefácio, dedicatórias e algumas outras coisinhas já atualizadas. Ressalto também que, relendo o primeiro capítulo, senti necessidade de revisá-lo novamente, então, trabalharei nisso e atualizarei lá no WATTPAD ok? Então, booora pro primeiro capítulo!
CAPÍTULO 01:
Segunda-feira, 05:30h da manhã. Yelena se aprontava para iniciar a sua penúltima semana de aulas, na Escola Estadual Dr. Altino de Paulo, em Vale do Príncipe, uma pequena cidade histórica de Minas Gerais, onde morava com seus pais, e seu irmão caçula. Era também a semana de provas finais, além disso, os preparativos para a formatura do ensino médio estavam a todo vapor.
O uniforme ainda não havia
secado, pois o tempo estava frio, e na noite anterior havia chovido bastante na
cidade. Mas a caminhada de casa até o colégio seria longa, e com certeza iria secar
pelo caminho. Pegou uma faca na gaveta do armário e cortou um pequeno pedaço de
bolo de cenoura com cobertura de chocolate que estava sobre a mesa da cozinha, o
qual sua mãe havia acordado às 04:00h da manhã, para prepará-lo e assá-lo, para
que a família pudesse tomar café da manhã. Após ter preparado o bolo, foi
trabalhar numa cooperativa agropecuária da cidade, onde atuava na fabricação de
deliciosos queijos e laticínios.
Além da fatia de bolo, Yelena
preparou também, em uma xícara branca, com uma pintura de um girassol que a sua
avó havia lhe dado em seu aniversário de 7 anos, gravada com a mensagem que ela
sempre dizia: “- Seja como o girassol, sempre
procure a luz, por mais escura que a situação pareça estar!”, um pouco de leite, e achocolatado.
Não por acaso, essa xícara era a favorita de Yelena, dentre todas as xícaras da
casa. Pelo significado, pelo tempo que a xícara estava com ela e,
principalmente por quem a havia lhe presenteado.
Na noite anterior, Yelena havia
feito todas as lições, e, como entraria na semana de provas, dedicou um tempo
de seu fim de semana na revisão dos conteúdos da prova. Fez várias anotações,
rascunhos e mapas mentais em sua fiel caderneta de bolso, a qual ela não a
largava por nada. Além do conteúdo das provas trimestrais, Yelena sempre
dedicava parte do tempo de seus dias em estudos para vestibular. Era seu maior
sonho ser aprovada em uma faculdade federal de renome nacional.
Mais uma vez, teve o desprazer
de ver aquela maldita fumaça pela janela da cozinha, enquanto tomava seu café.
Aquele cheiro insuportavelmente asfixiante, o qual não conseguia distinguir se
era cigarro, ou algo pior. Ela vinha direto do quintal, próximo ao pé de
jabuticabas de sua mãe. Como a janela era alta, não conseguiu identificar ao
certo o que ou quem estaria provocando aquilo. E, com receio de aproximar-se da
janela e ser vista, angustiada, Yelena apertou a xícara com tanta força, que
parecia que ela iria se partir em duas, mas ignorou novamente aquela cena, por
mais que sabia que iria se remoer o dia inteiro tentando entender o que era,
quem era, e por quê. Arrumou suas coisas na mochila, e seguiu rumo à escola.
No caminho, Yelena se viu
cercada por pensamentos e incertezas, ansiedades e angústias, medo do presente,
do seu passado, e principalmente do que aconteceria em seu futuro. Além disso,
aquela fumaça pela janela estava lhe deixando bastante intrigada, aumentando
ainda mais os motivos de angústia. “- O que pode ser isso? Será que está vindo
do vizinho, ou de fato era de nossa casa? Quem pode estar queimando, ou usando
algo tão prejudicial assim? Será alguém de minha família? Mãe já está no
trabalho, então ela não poderia ser.”
Em meio a diversos pensamentos
que vinham e iam involuntariamente, seguia rumo ao colégio. Quase chegando, e
com o uniforme já seco, Yelena avista uma criança passeando com seu shitzu cor
preta, cinza e branca. O cachorrinho todo feliz, fuçando e cheirando tudo que
tinha pela frente como se nunca tivesse passado por ali. Tantos cheiros
diferentes, realmente parecia bem feliz. A criança então, pelas reações, e o
certo mal jeito que demonstrava em segurar a coleira do animal, parece tê-lo
ganhado a pouco tempo, ainda descobrindo quão bom é ter um amigo de quatro
patas. Ela adora crianças, por isso aquela cena a prendeu por bons e longos
minutos, e com isso, conseguiu esquecer um pouco dos pensamentos involuntários.
Yelena era uma das melhores
alunas da turma. O que mais uma vez prova a afirmação, de que quanto mais dura
era a vida, mais a pessoa se esforçava para sair daquilo, e melhorar. Yelena
queria ter uma vida melhor, sonhava em ajudar os pais e proporcionar tranquilidade
a eles. Além disso, algo dentro dela ardia sem cessar, algo como um chamado
divino, um dom, pelo qual Yelena tanto se esforçava, e renunciava inúmeras
coisas para que um dia, conseguisse conquistar. Dedicar sua vida ao cuidado
infantil! Não poderia deixar suas dores pessoais atrapalharem nesse trajeto.
Fez a prova de matemática, matéria a qual
tinha bastante dificuldade, e foi para o pátio.
-
Você
vai participar da colação de grau da nossa turma? Perguntou a amiga de Yelena.
Faltava 30 dias para a
formatura, 30 dias para um enorme vazio. A pergunta que foi feita de forma inocente,
fez reacender o sofrimento de Yelena, pois, pensar na colação de grau significa
pensar que o ensino médio estava acabando. Trabalhar para ajudar em casa e não
ser mais um peso, afinal, ano que vem faria 18 anos? Estudar um pouco mais,
para ingressar em uma boa faculdade federal? Para uma menina de 17 anos, lidar
com essas incertezas e questões era apavorante. Atormentada pelos pensamentos e
ansiedades com o futuro, além de todo fardo emocional, psicológico e familiar
que carregava, respondeu apenas:
- Sim.
Em tom cabisbaixo¹, e pouco entonado.
A sirene toca, e funcionou como um alívio. Yelena se despede, guarda
seus materiais, e corre para a casa, pois após o almoço teria que ir correndo
para o segundo turno, seu estágio num escritório de contabilidade.
Ao chegar em casa, recebida
pelo seu pai, com uma euforia um tanto quanto duvidosa, Yelena tentou entrar no
clima, não querendo transparecer o que estava sentindo, exclamou:
-Quanta alegria, há algo de bom
para me contar?
- Consegui um emprego como
supervisor, em uma obra de reforma aqui no bairro vizinho.
Disse seu pai. e Yelena, por um
pequeno momento, deixou-se repousar naquela notícia feliz, e alegre! Comemorou
com o pai, almoçou e banhou-se, e logo se foi para o estágio.
Relatórios de custos,
inventários para revisar, e clientes querendo sonegar impostos de maneira
“legalizada”, mil pilhas de contratos para organizar e armazenar em ordem
alfabética e cronológica. O salário, se é que se pode dizer que aquilo era um
salário, era de estagiária, mas a carga de serviço era de uma profissional com
30 anos de experiência. Mas Yelena fazia o possível, o máximo que conseguia e
com toda atenção, era com o dinheiro e com os sonhos dos outros que ela estava
trabalhando, não poderia errar.
Entre um relatório e outro, às
vezes nos 5 ou 10 minutos que tinha de descanso, sempre estava com sua
caderneta de rascunhos, ou alguma anotação em folha, ou um livro na gaveta.
Cuidar de crianças sempre foi seu maior sonho, o ponto alto ao qual se sentiria
realizada. Era um chamado de Deus, o qual ela estava conquistando, degrau por
degrau, tijolo por tijolo, não estava sendo fácil, a vida corrida, a falta de
recursos, falta de tempo, vendo a adolescência passar, mas esse chamado era
inegável. Uma força fora do comum sempre a animava, e não a deixava desistir.
- Boa tarde Yelena, que bom que
chegou. O senhor Ronaldo passou aqui uns 30 minutos atrás.
- Boa tarde, aconteceu algo de
errado com a folha de pagamento da metalúrgica?
- Não, não. Ele veio
especificamente atrás de você, dizendo que precisava da sua ajuda para “fazer
aquela tal coisa” novamente. Acredito que seja aquela conciliação complexa que
só você tem paciência para explicar para ele.
- Ah, sei sim! Deve ser aquela
planilha de custos fixos, conversando com as entradas fixas e variáveis e com
as saídas variáveis da firma. Coitado, ele ficou me esperando por muito tempo?
- Ele foi bem enfático, nem
quis saber de conversar com nossos contadores seniores, disse bem: “- Onde está
aquela menina? Diga a ela que eu volto quando ela estiver!” Ele confia bastante
no seu jeito de organizar as coisas.
- Tudo bem então, vou deixar o
arquivo dele aqui na área de trabalho, para ficar fácil quando ele chegar.
Não era só pela competência e
organização da Yelena. O Senhor Ronaldo era um senhorzinho de ¾ de idade,
nascido e criado na roça, e com seu esforço e suor conquistou seu reinado na
cidade, era o proprietário da Siderúrgica Vale do Príncipe, a maior empresa do
ramo no estado, e, nesse cenário, a maior empresa da cidade. Porém,
computadores, excel, planilha nunca foram seu forte. Mas Yelena, sempre teve a
atenção e o cuidado necessário para explicá-lo, mil e uma vezes a mesma
informação, até que o senhor Ronaldo não tivesse mais dúvidas. Afinal, ela
estava lidando com milhares de empregos, não só com as “contas do senhor
Ronaldo”. E esse era um dos diferenciais, o trabalho com amor, com educação e
empatia. Os contadores seniores com certeza conseguiriam organizar e realizar o
trabalho. Mas só Yelena, o atendia com o cuidado que precisava.
- Boa tarde, minha filha! Que bom que você chegou! Fui ali no Trembão² tomar um café, e experimentar o novo pão de queijo com linguiça que eles estavam servindo lá, enquanto aguardava você! Aquela planilha que conversa e me dá o que sobra após eu pagar todos meus funcionários, os impostos, contas da empresa, você conseguiu fazer?
- Oi, senhor Ronaldo, que bom tê-lo por aqui! Sente-se! Irei lhe mostrar a planilha em um minuto, só terminar de mandar esse e-mail para a prefeitura.
O senhor Ronaldo moveu a cadeira que estava em frente à mesa e a deixou do lado de Yelena. Com isso observou uma pequena caderneta aberta ao lado do computador, e perguntou:
- Por isso que você tem todas as respostas rapidinho minha filha? Anota tudo nesse caderninho para se lembrar?
Yelena cresceu em um cenário onde, “filho de pobre não pode estudar, tem que trabalhar!”. Cenário o qual não era tão valorizada profissionalmente e pessoalmente falando. Com crenças que diziam que moças tinham que se casar, ter filhos e cuidar da casa. Não era bem assim que ela gostaria de viver. Queria conquistar seu espaço, suas coisas, e sua independência financeira além de tudo. E, para ela, expor seus próximos passos, e seus sonhos de futuro não era fácil. Mas com o senhor Ronaldo por algum motivo era diferente, ele sempre à deixava confortável, e a aconselhava, via ela como realmente uma neta, ou filha mais nova.
- “Né” não senhor Ronaldo, é que como minha vida tá um pouco corrida, trago esse caderno com alguns rascunhos para que, se houver algum minuto de ociosidade, eu possa estudar um pouco.
O senhor Ronaldo a conhecia desde mais nova, sabia da luta diária da menina, e a admirava muito por isso. Talvez, a preferência dele por ela o atender, vinha desse motivo também, além da empatia, claro.
Yelena explicou tudo, e ensinou
o senhor Ronaldo onde eles precisam dar entradas de verba, e, após tudo
preenchido, a planilha iria exibir o lucro mensal da companhia. Além disso,
baixou os relatórios anteriores da siderúrgica, e constatou que a empresa estava
tendo uma saída que não estava sendo explicada nas notas fiscais. “Não tinha
como uma caixa de grampos custar R$250,00 reais por exemplo.” Pensou.
Discutindo com o senhor Ronaldo, explicou a situação. E o senhor Ronaldo logo
desconfiou de um de seus funcionários, que poderia estar desviando algo.
- Obrigado minha filha, e muito boa sorte na sua jornada! Você é uma profissional brilhante, quando quiser, vá até a siderúrgica! Estou precisando de uma pessoa para ficar no “Contas a Pagar da empresa!”
Trabalhar na siderúrgica era visto como boas vistas. O respeito e status que os trabalhadores de lá tinham na cidade, oportunidades. Além do salário na siderúrgica, que era muito bom, o maior da cidade. Havia vários benefícios, férias premium, vale saúde, alimentação, auxílio creche, tudo que um bom emprego CLT pode oferecer. Mas os planos de Yelena eram outros. Parece que, o rosto daquelas crianças todos os dias apareciam para ela, em sonhos e em pensamentos. O chamado realmente era muito intenso, saia do fundo de seu coração, foi implantado lá por Deus, e ela não poderia abandonar aquilo, para ter uma vida tranquila como CLT, ganhando seus muitos mil reais. Por mais tentador que aquilo pudesse ser, havia algo muito maior, um sentimento e vontade inexplicável de continuar estudando.
Mais tarde, naquele mesmo dia,
a caminho de casa, Yelena encontra-se com uma senhora na rua. Com várias
sacolas precisando atravessar na movimentada avenida João Pedro II, até o seu
fusquinha amarelo que estava do outro lado. Não pensou duas vezes em ajudá-la. Perguntou
se podida ajudá-la, tomou em suas mãos as sacolas, agarrou-se delicadamente em um
dos braços da velhinha, e, sinalizando com a mão cheia de sacolas para os
carros que estavam vindo, conseguiu atravessar a avenida. Aquela senhorinha
cheia de gratidão, disse a ela:
- Muito obrigado, meu bem! Eu estava aqui a uns 15 minutos, esse semáforo só fica vermelho 15 segundos devido ao cruzamento movimentado, ainda mais nesse horário de almoço. As crianças e jovens conseguem passar correndo, mas eu já tô com 79 anos, minhas canelinhas que antes eram de líder de torcida e jogadora de vôlei, hoje não aguentam mais!
- Não foi nada, é sempre um prazer poder ajudar! Tudo bem com a senhora? Precisa de algo mais?
- Não minha filha. Escute, mantenha sempre esse sorriso, meu dia melhorou não só porque me ajudou, mas porque por muito tempo não recebia um sorriso tão sincero e puro como esse! Que Deus te acompanhe e te abençoe por onde você for!
- Amém. Respondeu Yelena, e
seguiu.
Era impressionante, que mesmo
com tudo acontecendo, Yelena conseguia manter o sorriso, por mais que estava
passando por aquelas situações, ainda sim sempre iluminava e alegrava a vida
das pessoas, com carisma e empatia.
Era noite, faltava apenas 40
minutos para ir para seu terceiro turno, o curso técnico de administração e comércio,
que fazia no instituto federal. Ela não tinha uma vontade exacerbada de
fazê-lo, porém, quando ingressou, tinha uma boa estratégia em vista: É um
instituto federal, com isso, pensou, as diretrizes e cobranças devem ser
razoáveis, podendo ter bastante orientações sobre como ingressar na vida
acadêmica federal. E dito e feito, estudar em uma escola federal de conceito,
traz uma excelente bagagem acadêmica. Grava na mente do estudante a vontade de
conquistar coisas grandiosas, um concurso, um vestibular federal, por exemplo.
Além disso, foi esse curso que lhe ofereceu a oportunidade de estágio no
escritório.
Graças ao estágio, conseguiu
pagar um transporte para, pelo menos a noite, poder estudar com tranquilidade.
O instituto federal em uma área semirrural, às margens de uma típica rodovia
estadual mineira, sem acostamento, iluminação, e com fluxo intenso de veículos,
tanto carros, caminhões e carretas carregadas.
Ainda, passava-se também, nessa
rodovia, na periferia de uma favela perigosa da cidade. Histórias eram contadas
de tráfico, abuso infantil e de mulheres, sequestro, roubos naquela região. De
fato não era necessário passar dentro da favela, mas a proximidade à ela já
trazia pavor a Yelena, ainda mais pois, se fosse a pé, iria sozinha, assim como
vai em todos seus compromissos diários. São locais inóspitos, cheios de
indivíduos com intenções duvidosas.
Com isso, arrumou suas coisas,
entrou na van e seguiu seu caminho.
Segunda-feira, 05:30h da manhã. Yelena se aprontava para iniciar a penúltima semana de aulas, na Escola Estadual Dr. Altino de Paulo, em Vale do Príncipe, uma pequena cidade histórica de Minas Gerais, onde morava com sua mãe Marina, seu pai Welton, e John, seu irmão caçula. Era também a semana de provas finais, além disso, os preparativos para a formatura do ensino médio estavam a todo vapor.
O uniforme não havia secado, devido ao clima frio, e na noite anterior havia chovido bastante na cidade. A caminhada de casa até o colégio seria longa, e com certeza iria secar pelo caminho. Pegou uma faca na gaveta do armário e cortou um pequeno pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate, o qual sua mãe havia assado às 04:00h da manhã para o café da manhã.
Além da fatia de bolo, Yelena preparou em uma xícara branca, com uma pintura de um girassol e uma frase: “- Seja como o girassol, sempre procure a luz, por mais escura que a situação pareça estar!”, um pouco de leite com achocolatado. Não por acaso, essa xícara era a favorita de Yelena, dentre todas as xícaras da casa. Foi a sua avó que havia lhe dado, e essa frase gravada, é ela que diz sempre. Pelo significado, pelo tempo que a xícara estava com ela e, principalmente por quem a havia lhe presenteado.
Na noite anterior, fez todas as lições, e, como entraria na semana de provas, dedicou um tempo de seu fim de semana na revisão dos conteúdos. Fez várias anotações, rascunhos e mapas mentais em sua fiel caderneta de bolso, a qual não a largava por nada. Além do conteúdo das provas trimestrais, Yelena sempre dedicava parte do tempo em estudos para vestibular. Era seu maior sonho ser aprovada em uma faculdade federal de renome nacional.
Mais uma vez, teve o desprazer de ver aquela maldita fumaça pela janela da cozinha, enquanto tomava seu café. Aquele cheiro insuportavelmente asfixiante, o qual não conseguia distinguir se era cigarro, ou algo pior. Ela vinha direto do quintal, próximo ao pé de jabuticabas de sua mãe. Como a janela era alta, não conseguiu identificar o que ou quem estaria provocando aquilo. E, com receio de aproximar-se da janela e ser vista, angustiada, Yelena apertou a xícara com tanta força, que parecia que ela iria se partir em duas, mas ignorou novamente aquela cena, por mais que sabia que iria se remoer o dia inteiro tentando entender o que era, quem era, e por quê. Arrumou suas coisas na mochila, e seguiu rumo à escola.
No caminho, se viu cercada por pensamentos e incertezas, ansiedades e angústias, medo do presente, do seu passado, e principalmente do que aconteceria em seu futuro. Além de tudo, aquela fumaça pela janela estava lhe deixando bastante intrigada, aumentando ainda mais os motivos de angústia. “- O que pode ser isso? Será que está vindo do vizinho, ou de fato era de nossa casa? Quem pode estar queimando, ou usando algo tão prejudicial assim? Será alguém de minha família? Mãe já está no trabalho, então ela não poderia ser.”
Em meio a pensamentos que vinham e iam involuntariamente, seguia rumo ao colégio. Quase chegando, o uniforme já estava seco, Yelena avista uma criança passeando com seu shitzu cor preta, cinza e branca. O cachorrinho parecia estar todo feliz, fuçando e cheirando tudo que tinha pela frente como se nunca tivesse passado por ali. Tantos cheiros diferentes, realmente parecia bem feliz. A criança então, pelas reações, e o certo mal jeito que demonstrava em segurar a coleira do animal, parece tê-lo ganhado a pouco tempo, ainda descobrindo quão bom é ter um amigo de quatro patas. Ela adora crianças, por isso aquela cena a prendeu por bons e longos minutos, e com isso, conseguiu esquecer um pouco dos pensamentos involuntários.
Yelena apesar de tudo, sempre auxiliava os colegas nas tarefas. O que mais uma vez prova a afirmação, de que quanto mais dura era a vida, mais a pessoa se esforçava para sair daquilo, e melhorar. Queria ter uma vida melhor, sonhava em ajudar e proporcionar tranquilidade aos pais. Além disso, algo dentro dela ardia sem cessar, algo como um chamado divino, um dom, pelo qual Yelena tanto se esforçava, e renunciava inúmeras coisas para que um dia, conseguisse conquistar. Dedicar sua vida ao cuidado infantil! Não poderia deixar suas dores pessoais atrapalharem nesse trajeto.
Quando criança, não teve tanta atenção de seus familiares próximos. E via essa situação se repetir, agora com as crianças da família. Fazia de tudo para dar atenção, e cuidado sempre que os via, pois não queria que eles sentissem o que ela havia sentido. Ou que pelo menos, sentissem menos.
Fez a prova de matemática, matéria a qual tinha bastante dificuldade, e foi para o pátio.
Você vai participar da colação de grau da nossa turma? Perguntou Livia, amiga de Yelena.
Faltava 30 dias para a formatura, 30 dias para um enorme vazio. A pergunta que foi feita de forma inocente, fez reacender o sofrimento, pois, pensar na colação de grau significa pensar que o ensino médio estava acabando. Trabalhar para ajudar em casa e não ser mais um peso, afinal, ano que vem faria 18 anos? Estudar um pouco mais, para ingressar em uma boa faculdade federal? Para uma menina de 17 anos, lidar com essas incertezas e questões era apavorante.
Atormentada pelos pensamentos e ansiedades com o futuro, além de todo fardo emocional, psicológico e familiar que carregava, respondeu apenas:
- Sim. Em tom cabisbaixo¹, e pouco entonado.
A sirene toca, e funciona como um alívio. Yelena se despede, guarda seus materiais, e corre para a casa, pois após o almoço teria que ir correndo para o segundo turno, seu estágio num escritório de contabilidade.
Ao chegar em casa, foi recebida pelo seu pai, notou que ele estava em estado de bastante euforia. Tentou entrar no clima, não querendo transparecer o que estava sentindo, exclamou:
-Quanta alegria, há algo de bom para me contar?
- Consegui um emprego como supervisor, em uma obra de reforma aqui no bairro vizinho. Disse seu pai.
Yelena, por um pequeno momento, deixou-se repousar naquela notícia feliz! Comemorou com o pai, almoçou, e logo se foi para o estágio.
Relatórios de custos, inventários para revisar, e clientes querendo sonegar impostos de maneira “legalizada”, mil pilhas de contratos para organizar e armazenar em ordem alfabética e cronológica. O salário, se é que se pode dizer que aquilo era um salário, era de estagiária, mas a carga de serviço era de uma profissional com 30 anos de experiência. Mas Yelena fazia o possível, o máximo que conseguia e com toda atenção, era com o dinheiro e com os sonhos dos outros que ela estava trabalhando, não poderia errar.
Entre um relatório e outro, às vezes nos 5 ou 10 minutos que tinha de descanso, sempre estava com sua caderneta de rascunhos, ou alguma anotação em folha, ou um livro na gaveta. Cuidar de crianças sempre foi seu maior sonho, o ponto alto ao qual se sentiria realizada. Era um chamado de Deus, o qual ela estava conquistando, degrau por degrau, tijolo por tijolo, não estava sendo fácil, a vida corrida, a falta de recursos, falta de tempo, vendo a adolescência passar, mas esse chamado era inegável. Uma força fora do comum sempre a animava, e não a deixava desistir.
- Boa tarde Yelena, que bom que chegou. O senhor Ronaldo passou aqui uns 30 minutos atrás. Disse Claudia, a colega de trabalho.
- Boa tarde, aconteceu algo de errado com a folha de pagamento da metalúrgica?
- Não, não. Ele veio especificamente atrás de você, dizendo que precisava da sua ajuda para “fazer aquela tal coisa” novamente. Acredito que seja aquela conciliação complexa que só você tem paciência para explicar para ele.
- Ah, sei sim! Deve ser aquela planilha de custos fixos, conversando com as entradas fixas e variáveis e com as saídas variáveis da firma. Coitado, ele ficou me esperando por muito tempo?
- Ele foi bem enfático, nem quis saber de conversar com nossos contadores seniores, disse bem: “- Onde está aquela menina? Diga a ela que eu volto quando ela estiver!” Ele confia bastante no seu jeito de organizar as coisas.
- Tudo bem então, vou deixar o arquivo dele aqui na área de trabalho, para ficar fácil quando ele chegar.
Não era só pela competência e organização da Yelena. O Senhor Ronaldo era um senhorzinho de ¾ de idade, nascido e criado na roça, e com seu esforço e suor conquistou seu reinado na cidade, era o proprietário da Metalúrgica Vale do Príncipe, a maior empresa do ramo no estado, e, nesse cenário, a maior empresa da cidade. Porém, computadores, excel, planilha nunca foram seu forte. Mas Yelena, sempre teve a atenção e o cuidado necessário para explicá-lo, mil e uma vezes a mesma informação, até que o senhor Ronaldo não tivesse mais dúvidas. Afinal, ela estava lidando com milhares de empregos, não só com as “contas do senhor Ronaldo”. E esse era um dos diferenciais, o trabalho com amor, com educação e empatia. Os contadores seniores com certeza conseguiriam organizar e realizar o trabalho. Mas só Yelena, o atendia com o cuidado que precisava.
Boa tarde, minha filha! Que bom que você chegou! Fui ali no Trembão² tomar um café, e experimentar o novo pão de queijo com linguiça que eles estavam servindo lá, enquanto aguardava você! Aquela planilha que conversa e me dá o que sobra após eu pagar todos meus funcionários, os impostos, contas da empresa, você conseguiu fazer?
Oi, senhor Ronaldo, que bom tê-lo por aqui! Sente-se! Irei lhe mostrar a planilha em um minuto, só terminar de mandar esse e-mail para a prefeitura.
O senhor Ronaldo moveu a cadeira que estava em frente à mesa e a deixou do lado de Yelena. Com isso observou uma pequena caderneta aberta ao lado do computador, e perguntou:
Por isso que você tem todas as respostas rapidinho minha filha? Anota tudo nesse caderninho para se lembrar? Disse ele, apontando para a direção da caderneta.
Yelena cresceu em um cenário onde, “filho de pobre não pode estudar, tem que trabalhar!”. Cenário o qual não era tão valorizada profissionalmente e pessoalmente falando. Essa frase anterior, “filho de pobre não pode estudar, tem que trabalhar!” por exemplo, foi dita pelo seu próprio tio ao pai dela. Com crenças que diziam que moças tinham que se casar, ter filhos e cuidar da casa. Não era bem assim que ela gostaria de viver. Queria conquistar seu espaço, suas coisas, e sua independência financeira além de tudo. E, para ela, expor seus próximos passos, e seus sonhos de futuro não era fácil. Mas com o senhor Ronaldo por algum motivo era diferente, ele sempre à deixava confortável, e a aconselhava, via ela como realmente uma neta, ou filha mais nova.
“Né” não senhor Ronaldo, é que como minha vida tá um pouco corrida, trago esse caderno com alguns rascunhos para que, se houver algum minuto de ociosidade, eu possa estudar um pouco.
Ele a conhecia desde criança, sabia da luta diária da menina, e a admirava muito por isso. Talvez, a preferência dele por ela o atender, vinha desse motivo também, além da empatia, claro.
Yelena explicou tudo, e ensinou o senhor Ronaldo onde eles precisam dar entradas de verba, e, após tudo preenchido, a planilha iria exibir o lucro mensal da companhia. Além disso, baixou os relatórios anteriores da siderúrgica, e constatou que a empresa estava tendo uma saída que não estava sendo explicada nas notas fiscais. “Não tinha como uma caixa de grampos custar R$250,00 reais por exemplo.” Pensou. Discutindo com o senhor Ronaldo, explicou a situação. E o senhor Ronaldo logo desconfiou de um de seus funcionários, que poderia estar desviando algo.
Obrigado minha filha, e muito boa sorte na sua jornada! Você é uma profissional brilhante, quando quiser, vá até a siderúrgica! Estou precisando de uma pessoa para ficar no “Contas a Pagar da empresa!”
Trabalhar na siderúrgica era visto como boas vistas. O respeito e status que os trabalhadores de lá tinham na cidade, oportunidades. Além do salário na siderúrgica, que era muito bom, o maior da cidade. Havia vários benefícios, férias premium, vale saúde, alimentação, auxílio creche, tudo que um bom emprego CLT pode oferecer. Mas os planos de Yelena eram outros. Parece que, o rosto daquelas crianças todos os dias apareciam para ela, em sonhos e em pensamentos. O chamado realmente era muito intenso, saia do fundo de seu coração, foi implantado lá por Deus, e ela não poderia abandonar aquilo, para ter uma vida tranquila como CLT, ganhando seus muitos mil reais. Por mais tentador que aquilo pudesse ser, havia algo muito maior, um sentimento e vontade inexplicável de continuar estudando.
Mais tarde, naquele mesmo dia, a caminho de casa, Yelena encontra-se com uma senhora na rua. Com várias sacolas precisando atravessar na movimentada avenida João Pedro II, até o seu fusquinha amarelo que estava do outro lado. Não pensou duas vezes em ajudá-la. Perguntou se podida ajudá-la, tomou em suas mãos as sacolas, agarrou-se delicadamente em um dos braços da velhinha, e, sinalizando com a mão cheia de sacolas para os carros que estavam vindo, conseguiu atravessar a avenida. Aquela senhorinha cheia de gratidão, disse a ela:
Muito obrigado, meu bem! Eu estava aqui a uns 15 minutos, esse semáforo só fica vermelho 15 segundos devido ao cruzamento movimentado, ainda mais nesse horário de almoço. As crianças e jovens conseguem passar correndo, mas eu já tô com 79 anos, minhas canelinhas que antes eram de líder de torcida e jogadora de vôlei, hoje não aguentam mais!
Não foi nada, é sempre um prazer poder ajudar! Tudo bem com a senhora? Precisa de algo mais?
Não minha filha. Escute, mantenha sempre esse sorriso, meu dia melhorou não só porque me ajudou, mas porque por muito tempo não recebia um sorriso tão sincero e puro como esse! Que Deus te acompanhe e te abençoe por onde você for!
- Amém. Respondeu Yelena, e seguiu.
Era impressionante, que mesmo com tudo acontecendo, Yelena conseguia manter o sorriso, por mais que estava passando por aquelas situações, ainda sim sempre iluminava e alegrava a vida das pessoas, com carisma e empatia.
Era noite, faltando apenas 40 minutos para ir para seu terceiro turno, o curso técnico de administração e comércio, que fazia no instituto federal. Ela não tinha uma vontade exacerbada de fazê-lo, porém, quando ingressou, tinha uma boa estratégia em vista: É um instituto federal, com isso, pensou, as diretrizes e cobranças devem ser razoáveis, podendo ter bastante orientações sobre como ingressar na vida acadêmica federal. E dito e feito, estudar em uma escola federal de conceito, traz uma excelente bagagem acadêmica. Grava na mente do estudante a vontade de conquistar coisas grandiosas, um concurso, um vestibular federal, por exemplo. Além disso, foi esse curso que lhe proporcionou a oportunidade de estágio no escritório.
Graças ao estágio, conseguiu pagar um transporte para, pelo menos a noite, poder estudar com tranquilidade. O instituto federal em uma área semirrural, às margens de uma típica rodovia estadual mineira, sem acostamento, iluminação, e com fluxo intenso de veículos, tanto carros, caminhões e carretas carregadas.
Passava-se também, para chegar ao instituto, na periferia de uma favela perigosa da cidade. Histórias eram contadas de tráfico, abuso infantil e de mulheres, sequestro, roubos naquela região. De fato não era necessário passar dentro da favela, mas a proximidade a ela já trazia pavor a Yelena, ainda mais pois, se fosse a pé, iria sozinha, assim como vai em todos seus compromissos diários. São locais inóspitos, cheios de indivíduos com intenções duvidosas.
Com isso, arrumou suas coisas, entrou na van e seguiu seu caminho.
No outro dia, como forma de retribuir o cuidado que sua mãe teve anteriormente, Yelena acordou antes dela, às 03:30h da manhã. Passou o café, e preparou o pãozinho com manteiga que sua mãe adorava. Esperou que ela acordasse, e, teve um momento mãe e filha que muito tempo as duas não tinham.
Bom dia, minha mãe, a sua benção. Dormiu bem, conseguiu descansar um pouco?
Oh meu amor, acordada a essa hora? Não devia estar dormindo? Seu dia será comprido! Dormi bem sim graças a Deus.
Mãe, queria retribuir todo amor, carinho e cuidado que a senhora tem por nós. Sei que ama um pãozinho com manteiga. Tentei passar o café da melhor forma possível, sem açúcar, pois a senhora é fitness. Aquele seu bolinho de cenoura com cobertura de chocolate estava dos deuses! Foi ele que me alimentou de amor, para poder enfrentar mais um dia, e iniciar bem mais uma semana!
Também, mãe, queria conversar um pouquinho com a senhora. Nos fins de semana, geralmente vamos para a casa da vovó, com aquele tanto de gente que nem sempre conseguimos ter esse momento. Como estão as coisas, no trabalho, aqui em casa.. a sua saúde? Passo tanto tempo fora, que não estou conseguindo acompanhar a nossa rotina mais.
Está tudo bem graças a Deus filha. Aquela cooperativa nunca muda, trabalhamos bastante, alguns líderes não nos respeitam tanto assim, mas Sempre os dobramos na conversa para conseguirmos trabalhar em paz, fazendo nosso queijinho. Inclusive hoje farei o queijo trança, e muçarela que você gosta tanto.
Fui ao postinho ontem, coletar uns exames de rotina. Pegarei o resultado em alguns dias. Sempre é bom fazer um check-up, mas nada que tenha de se preocupar.
Aqui em casa está normal, você como sempre trabalhando bastante, seu irmão conseguiu um emprego meio período numa oficina mecânica também. Seu pai também de emprego novo. Aos poucos, tudo vai bem.
Mas o assunto que Yelena realmente queria tratar com sua mãe era outro. De fato aquela fumaça havia lhe intrigado, com isso, precisava conversar com alguém. Como, quando viu a fumaça sua mãe já não estava mais em casa, deduziu que ela não poderia ser.
Mãe, ontem de manhã, quando estava me preparando para ir para a escola, vi novamente aquela fumaça ao fundo do quintal, pela janela. Não quis me aproximar. Não estava pronta para ver, ou descobrir o que era. Mas, mãe, senti uma tristeza tão grande, por mais que estamos indo para a frente, alguma coisa ainda nos puxa para trás.
Oh filha, desde muito tempo isso acontece. Já tentei de tudo, mas não consigo resolver. Me entristece demais, porém, viro as costas, faço minhas orações, e sigo meu caminho!
Eu te entendo mãe, mas isso me dói! Não consigo conceber uma coisa dessa. Mas infelizmente hoje também não sei o que fazer. Mas vai, me conte uma coisa boa e alegre!
Com isso, Yelena entendeu que a sua mãe já sabia qual o motivo e quem estava provocando aquela fumaça. Porém, notou que contava com lágrimas nos olhos e voz embargada. Yelena não teve coragem de continuar naquele assunto, e resolveu investigar sozinha.
Retomei com minhas caminhadas ontem, sabia? Me sinto tão bem quando faço exercícios, e, ultimamente as coisas estavam corridas, mal sobrava tempo para descansar. Cuidando da sua avó na recuperação da cirurgia e fazendo hora extra no laticínio. Mas ontem caminhei por 30 minutos. Acho que até emagreci alguns quilinhos.
Oh mãe, eu te amo, que bom que conseguiu retornar as caminhadas, que continue! A senhora merece se sentir bem! Bom, mas vá se arrumar. A cooperativa é longe daqui, se eu tivesse um carro ou moto, levaria a senhora lá. Fique com Deus, mãe. Vou me deitar só mais um pouco, até a hora de ir para a escola!

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